o amor de pedro por mim

pedro, não porque teve medo ou negou três vezes quem amava, 
morreu crucificado de cabeça pra baixo...
pedro, o pescador que sacou espada pra defender quem amava;
o pedro covarde que afundou nas águas, pois era pedra
e tinha chaves pesadas.


não porque se ocultara nas sombras, trépido,
ao perceber o risco
que dividia ao meio
as capistranas do chão do átrio.

quando o galo cantou, sentiu ferir em si
cada uma de suas próprias arestas, duras, intratáveis.
lavradas, 
as palavras do amado retiniram em sua cabeça, e ele,
pedro,
chorou só, apaixonado. provou o pomo amargo
e não por isso ainda foi morrer assim.

foi porque jurou três outras vezes amar seu amor
[aquele dia na beira da praia comendo peixes, lembra?]
três outras vezes amar seu amor, amar seu amor
por quem abandonara suas redes, seu barco,
por quem abandonara suas redes, seu barco,
por quem abandonara suas redes,
seu barco.


2 comentários:

deivid junio disse...

pedro, aonde você for, eu quero ir.

pedro disse...

vou construir uma máquina de guerra contra a confraria reacionária unidos-em-série; vou me associar com poetas bits loucos barbudos jovens & lindos; vamos mandar tudo pro inferno; será muito bonito. Te convido.