3 de dezembro de 2009

vermelho-faca

a noite é mais que meu colo vazio
a noite é mais que meus braços à espera
a noite é mais que meu grito pra mim
a noite é mais que meu pequeno quarto
a noite é a lua lá fora, o gato na calada do muro, a brisa

à noite, eu conspiro meu plano
minha utopia, sozinho, meu sonho
o escuro me inspira estrelas
eu quero matar o dia

faz um escuro-prata, estou só
e conspiro
minha palavra afiada vai romper madrugada
e derramar a aurora
antes do sol mostrar a cara

amor

17 de novembro de 2009

dois mil e novembro

antes nem era nada. só espera;
ontem já esperma e
pousou bem rápido

o tempo; a ponte de cimento
o cume da montanha aberta
a rua é uma linha torta, vil e muita poeira

parece que choveu demais; meus olhos
aqui você não chupa. quero pouca lama
pr'além dos pés não tem como mais

vamos lá, felizes saltar cada vale.
a janela é pro sol e o vento entra assim: nu
meu beijo; a nuca; a madeira da porta range

cedo de manhã, tarde fui dormir.
o drama é de ler bonito em dez vozes;
cada personagem sou um

30 de outubro de 2009

Fundir-se

detalhes na minha pegada
são brasas acesas no chão

olha-me na sombra
e toque-me o rosto

às mãos molhadas
lubrifica-me

beijo-te com gosto de aço
na tua face de carne

fundo, derreto
mais nada

29 de outubro de 2009

caramarelo

eu gosto tanto de amarelo
que quero tonto amarelo-aço

eu tinto muito amor-elo
que tenho do solo um estilhaço

eu sinto fazer sol amarele
que gosto pouco de amarela

eu sonho ao mar ver meu ele
que tento tudo na maré nada

21 de outubro de 2009

Oralidades

o leite
ela me deu
o leite

o meu corpo cresceu num estalar de ossos desde o seio
(duas eram as tetas) eu saio do seu colo pra assentar os pés no
................................................................................. [chão
mas só depois lanço a chupeta fora, pura ameaça, desejo

o mel
você me dá
o mel

o seu aço que é um só incandesce e esfria na pedra da minha
..................................................................... [boca à míngua
ora sugo você pelo orifício mais bonito, ora quero beijar sua
.................................................................................... [mão
são saudades ou não, mas não quero ouvir psicanalidades, só
................................................... ......... [segredos e línguas

a chama
eu me dou
a chama

o meu fumo piracanjuba trago pra o fundo do peito, pito
puxo, respiro, extraio faíscas de idéias e ouço conversas em vão
a vontade da boca é o descanso eterno para, em deus, chupar
............................................................................ [seu dedo

16 de outubro de 2009

De vovó pequena

E era tudo de ouvido gostar pra guardar.
Minh'avó já brincava,
falava com a boca cantada
o que pra mim, criança, era coisapoesia
e era redondo assim, que repetia:

- Ô, 'Nhô, cadê a 'Nhá?
- Foi no mato cagá!

- Ô, 'Nhá, cadê o 'Nhô?
- Foi no mato fazê cocô!

15 de outubro de 2009

bordado

meu amor
borda camisetas pra mim
perfura com cuidado minha letra infantil
traça meu poema no pano pra fazer dele roupa
mas meu amor é o versinho mais bonito que inventei
e não vai ficar pra alguma peça fina nem pano de chão nem toalha
............................................................................. [de enxoval
meu amor vai ficar borbado dentro do meu peito
já está escrito com caneta pra tecidos
cada linha só espera sua agulha
meu amor

borda meus dedos
nos dedos dele

7 de outubro de 2009

aquário

um peixe flutua só entre as quatro paredes do meu quarto
um peixe amarelo passeia entre as coisas que guardo
um peixe manso vai escorrendo diante dos meus olhos
um peixe que não sabe atravessar as lentes dos meus óculos
um peixe sem nada pra me dar nesta noite cheia
de saudade, um peixe
nada só

calçamento

poetautor

Minha foto
deivid junio
nasci em julho de 1985, cidade de belo horizonte, minas gerais, brasil. escrevo poesia desde a adolescência. integrei o conselho editorial do jornal 'a parada' entre 2005 e 2008. com o grupo 'a parada' apresentaei-me no projeto 'terça poética', ago/06, realizado pela secretaria de estado de cultura de minas gerais, suplemento literário e fundação clóvis salgado, no palácio das artes, bh. participo com o poema 'é tudo amor' no catálogo 'terças poéticas jardins internos', dez/06, que reuniu os poetas participantes de projeto. recitais apresentados também no 3º belô poético, jul/07, na estação de inverno do cefet-mg, ago/07, e em lançamenos diversos. poemas publicados em edições do jornal a parada, jornal dezfaces nº6, no jornal o capital, de aracaju, e no barkaça nº6. em jan/07, o poema 'sertão' foi o primeiro colocado na 3ª edição do 'concurso rogério salgado de poesia', organizado pelo 'belô poético'. apresentei leituras de poemas próprios no dia 21/ago/2009 no projeto poesia na pç 7, em bh, que tem os benefícios da lei municipal de incentivo à cultura/pbh. atualmente sou graduando em filosofia pela ufop e resido em ouro preto.
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