[Colagem s/ papel (A4). "um". Deivid Junio, 2017.]

*Clique sobre a imagem para ampliá-la.

[Colagem s/ papel (A4). "trovinha". Deivid Junio, 2017.]

*Clique sobre a imagem para ampliá-la.


[Colagem s/ papel (A4). "pênis". Deivid Junio, 2017.]

*Clique sobre a imagem para ampliá-la.

Sequência

um, dois, três, 5...

o 9º beija-
flor
levou
o último grão de pólen
no bico

eu então
colibri
'que não ficou nada pra mim

sua foto

os olhos que através
do espelho fotografam
o colo nu
sabem seduzir

sua luz atinge feito seta
meu olhar sobre o visor

não é miragem
o artifício que torna próximo
quem distante se encontra

em minhas mãos
a digital ferramenta
como uma janela
traz a imagem do sedutor [real:

surpresa e narcose em mim]

conheço bem seus pelos
mamilos, os tons de cada curva do seu corpo
os sinais de sua pele
sua bermuda de praia

desconheço seu atual endereço
desconheço o quarto e as paredes
que o abrigam

por essa janela não atravesso

enquanto o vejo, abro o zíper
e meu peito se aquece
o membro duro acaricio
até derramar do copo
o leite no lençol limpo

sou todo desejo

chuva ácida

o que alenta
o que me fere
uma fenda, esta

o que interfere
no que me abre
e atravessa, chave

de sal e sombra
o que me seca
e não esquece, sonha

só uma lágrima
dos olhos desce
foram palavras,

foram momentos
tristes
esses de agora

é tarde pacas
há tempos correm
singrando os mares, vela

nuvens seguidas
de areia cinza
e de censura, triste

a nossa época
corrói o mármore
que antes era, e se

repete

pequeno resto

para o Tom

das pedras
das conchas
das montanhas
das complexas aglomerações humanas
dos milhares de pés que se fincam
e se enfrentam
dos grandes fortes e edificações
de lama ferro e lenha seca
e mesmo entre os grãos 
de sua poeira
transformados em pesar
e sombra

do coração apodrecido

do fruto
de um só
de muitas sementes semeadas
pelos séculos

um
pequeno resto
guardará
aquilo que entre muitos 
perece
mas nele, suficientemente,
se retém